O CERCO de JERUSALÉM #137

O Cerco de Jerusalém mudou para sempre a história do cristianismo, do judaísmo e do Império Romano.

No ano 70 d.C., o filho do imperador de Roma, Tito, foi enviado à Judeia para esmagar a Revolta Judaica.

Deixando um rastro de destruição para trás, os romanos devastaram Jerusalém e destruíram o Templo de tal forma que ele nunca mais foi reconstruído.

Mas, paradoxalmente, ao fazer isso, Roma acabou ajudando a espalhar o cristianismo e a transformar o judaísmo para sempre.

❓ Mas como isso aconteceu?

🎧 Escute o episódio e descubra!


Fontes (2):


Livros:

1: Barbara Levick — Vespasian

2: Ronald Syme — The Roman Revolution


Dicas Culturais (4):

1: Quo Vadis (1951)

Quo Vadis é um filme de (1951) que se passa na Roma Antiga do imperador Nero. É uma época de trairagem política, exércitos gigantescos e espetáculos incessantes — ainda não havia um coliseu, mas já eram muito populares as corridas de bigas e gladiadores e muita ostentação de poder. A vida era extravagante para os ricos, dura para os pobres, e todos amavam os espetáculos.

E nessa época, o cristianismo está começando a se espalhar, o que deixa os romanos, especialmente da elite, bastante nervosos. Os cristãos não cultuam os deuses romanos nem o imperador, então são vistos como encrenqueiros e alvos fáceis quando as coisas dão errado… tanto é que eles levaram a culpa pelo grande incêndio de Roma.

No centro do filme está Marcus Vinicius, um general romano, corajoso em batalha, mas inseguro quanto aos seus valores pessoais. Marcus, que está dividido entre a lealdade a Roma e o crescente respeito pelos valores cristãos que ele aprende com sua amada. À medida que o governo de Nero se torna mais violento — especialmente após um incêndio devastador em Roma — os cristãos são injustamente culpados e brutalmente punidos. 

Conforme a história se desenrola, Marcus se vê dividido entre seu dever para com Roma e o que aprende com Lygia e os cristãos. A situação se complica ainda mais após um grande incêndio em Roma, quando Nero culpa os cristãos e começa a persegui-los. Marcus precisa descobrir no que realmente acredita, enquanto Lygia arrisca tudo por sua fé.

2: Ben-Hur (1959)

Ben-Hur, filme de 1959 baseado em um romance de 1880, é uma obra interessante pra gente por que se passa no início do século I, na região da Judeia, nessa época do domínio do Império Romano. 

A trama acompanha um príncipe judeu de família nobre, Judah Ben-Hur, que vê sua vida virar de cabeça pra baixo quando seu amigo de infância, Messala, retorna a Jerusalém formado como oficial romano. O reencontro, que começa amigável, mas rapidamente se transforma em rivalidade quando Messala exige de Judah lealdade total a Roma e Judah se recusa a trair seu povo.

A situação piora quando Judah é falsamente acusado de tentar assassinar um governador romano. Como punição, ele é condenado a trabalhar como escravo nas galés, como remador desses navios romanos, enquanto que sua mãe e sua irmã são presas. A partir daí, o filme vira uma jornada intensa de sofrimento, sobrevivência e sede de justiça, com Judah lutando para voltar e acertar as contas com o passado.

No meio do caminho, surgem personagens importantes como o Ilderim, que treina o Judah para se tornar um grande piloto de biga, o que leva o nosso protagonista a participar desses tão populares jogos romanos: as corridas de bigas. Inclusive, a cena mais famosa do filme é uma dessas corridas. Aliás, a filmagem dessa corrida foi feita em um cenário onde as arquibancadas e gigantesca pista e corrida foram construídas de verdade.

Como se passa no início do século I, é claro, o Judah também cruza o caminho com um certo profeta que estava ficando popular nessa época, o nosso amigão hippie marceneiro fazedor de vinho, Jesus Cristo, que apresenta para o nosso heroi uma alternativa ao ódio e à vingança, em um caminho de perdão e transformação pessoal.

3: LEGEND OF DESTRUCTION

Nessa animação dirigida por Gidi Dar e roteirizada por ele e Shuli Rand, testemunhamos a fase final do Cerco de Jerusalém pelo imperador Tito

4: Perfil do Instagram Gym Rat In Gaza

https://www.instagram.com/gym_rat_in_gaza

Galeria:

Tito Flávio Vespasiano, filho do Imperador Vespasiano e futuro imperador de Roma , responsavél por liderar o Cerco em 70dC
Jerusalém vista do sul no século 1dC. Note o Templo de Jerusalém no canto superior a direita
Jerusalém vista do sul no século 1dC. Note o Templo de Jerusalém no canto superior a direita. Ilustração feita pelo artista Balage Balogh
Jerusalém poucos meses antes do ano 70dC com os principais pontos referenciados: o Templo, a Fortaleza Antônia, a Cidade Baixa, Cidade Alta e todas as muralhas.
Uma “planta baixa” de Jerusalém no século 1dC. Note os montes e formações geológicas à sua direita: o Monte das Oliveiras à leste e o Vale do Cédron a oeste
Mais uma “planta baixa” de Jerusalém, dessa vez sendo possível identificar mais facilmente a baixar alta, baixa, o templo e os subúrbios novos aos norte
O Monte das Oliveiras atualmente, comportando um cemitério judaico
Vale do Cédron atualmente nos arredores de Jerusalém
Telha com a marca da Legião X Fretensis, encontrada em Jerusalém e agora em exibição no Centro Internacional de Convenções de Jerusalém.
Uma maquete da cidade do Templo de Jerusalém no século 1dC em escala 1:50, feita pelo historiador e artista Michael Avi-Yonah, hoje movido e exposto no Israel Museum
Visão do centro do Segundo Templo na maquete de Michael Avi-Yonah
Templo de Jerusalém com o Forte Antônia atrás dele, ainda na maquete de Michael Avi-Yonah
Aríete romano, um “bate estaca” destinado a forçar o portão de cidades e muralhas até arrebentá-lo.
Uma típica catapulta romana do século 1dC.
Uma torre-móvel romana, utilizada para atacar de forma segura o inimigo em diversas alturas.
Visão interior de uma torre romana de cerco .
Pintura romântica de 1850 de David Roberts retratando o Cerco e destruição de Jerusalém. Em pinturas dessa época, é utilizado muito idealismo e orientalismo, então muitos elementos retratados aqui tem uma certa “liberdade criativa”
Fortaleza Antônia: foi a partir daqui que os romanos conseguiram entrar no Templo de Jerusalém (complexo à esquerda). A Fortaleza Antônia foi totalmente desmontada e nivelada para servir como “rampa” para os romanos chegarem até o Templo.
Pintura romântica de Francesco Hayez retratando a destruição de Jerusalém, 1867
Durante a destruição do Templo, os romanos levaram todos os objetos de valor que conseguiram encontrar. Esse relevo foi gravado no Arco de Tito, construído em 81 dC para celebrar a vitória dos romanos em Jerusalém
O relevo do saque de Jerusalém no Arco de Tito
O Arco de Tito, próximo ao Fórum Romano hoje em dia
Inscrição em latim no topo do Arco de Tito que diz “O Senado e o Povo Romano (dedicam isto) ao divino Tito Vespasiano Augusto, filho do divino Vespasiano.”