Antes mesmo do Brasil existir como nação, o Nordeste já foi independente!
…mas não por muito tempo
Essa foi a Revolução Pernambucana, que, em 1817, transformou Pernambuco em uma república.
Inspirados pelos ideais iluministas e da Revolução Americana e Francesa, seus líderes eram da elite agrária e intelectual do Nordeste, insatisfeitos com os altos impostos da Coroa.
O levante rapidamente se espalhou pela região: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará se tornaram um verdadeiro campo de batalha entre tropas revolucionárias e forças da Coroa.
Uma de suas figuras mais marcantes foi Bárbara de Alencar, considerada a 1ª presa política da história do Brasil.
Proprietária rural e defensora das ideias republicanas, ela apoiou o movimento, mas acabou sendo perseguida pelas autoridades monarquistas.
Mas como surgiu essa revolta? Por que ela fracassou? Qual foi o verdadeiro papel de Bárbara de Alencar nesse episódio?
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Galeria:
Castelo de Garcia D’Avila, na Bahia. Essa foi uma das casas senhoriais mais ricas da Bahia e do Brasil. Suas ruínas hoje são ponto turístico, tombada pelo IPHAN em 1980.Complexo do Castelo de Garcia D’Avila, ao norte de Salvador.Pintura de Bárbara de Alencar, feita por um artista não identificado baseado em relatos orais da mesma.Retrato imaginário de Bárbara de Alencar, feito por F. Ruiz (1894). Encomendado pela família Alencar na Bolívia.Antiga casa onde Bárbara de Alencar teria morado durante sua infância, na Fazenda Caiçara, em Exu, Pernambuco. Hoje é parte do Museu Bárbara de Alencar. Interior da antiga casa de infância de Bárbara de Alencar em Exu, Pernambuco. Hoje, embora seja o Museu Bárbara de Alencar, o local é propriedade privada de Amparo Alencar, descendente de Bárbara.Interior da antiga Casa de Bárbara de Alencar em Exu, PernambucoAntiga casa de Bárbara de Alencar em Crato, Ceará, onde ela morou com seu marido “Surubim-pintado”. Foto tirada provvelmente entre 1920-1930. Foi demolido nas décadas seguintes para a construção do prédio da Coleteria Estadual do Crato.Foto de outro ângulo da antiga casa de Bárbara em Crato, Ceará, provavelmente tirada entre 1930-1940.Crato fica na Região Metropolitana do Cariri, um dos principais núcleos da família Alencar. O Ceará só se tornou uma capitania autônoma em 1799; até então, suas decisões políticas estavam subordinadas a Recife.
Chapada do Araripe: um planalto de 900 metros de altitude, abundante em recursos hídricos e abriga uma das maiores concentrações de fósseis do mundo.Exu, Pernambuco, segundo lar da família Alencar, divisa com o Ceará.A evolução dos limites territoriais no nordeste do Brasil após a Revolução Pernambucana em 1817. O Pernambuco perdeu parte do seu território para a Bahia e as capitanias de Alagoas e Sergipe foram emancipadas por Dom João Vi.A “perda” da Comarca de São Francisco, no sertão pernambucano para a Bahia após a Revolução de 1817, junto da emancipação de Alagoas (de Pernambuco) e Sergipe (da Bahia) Mapa do Ceará em 1800, feito pro Gregório AmaralFortaleza em 1726, um amontoado de poucas centenas de casas construídas sobre as dunas. Em um levantamento feito em 1800, possuía 250 casas.Governador-geral a capitania o Ceará, Manuel Inácio de Sampaio, apelidado de “Argus de 100 Olhos”. Entre 1821 e 1822 seria ainda governador da capitania de Goías. Soldados “reinóis” vindos de Portugal, numerosos nos principais centros urbanos do Brasil a partir de 1810 após a chegada da corte portuguesa. Gravura de Washt Rodrigues feita em 1816Mais um “militar reinói”: praça de Infantaria em Portugal, em 1815Recife no século 19, a 3ª maior cidade do Brasil na época atrás de Rio de Janeiro e Salvador.Seminário de Olinda, o principal polo de ensino de Pernambuco, fundado em 1551 e mantido por bispos e padres. Bênção das bandeiras da Revolução de 1817, óleo sobre tela de Antônio Parreiras.Padre João Ribeiro, um dos principais articuladores da Revolução de 1817 e, algumas fontes ainda o apontam como um dos criadores da bandeira de Pernambuco. A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, que inspirou a atual bandeira de Pernambuco. As 3 estrelas acima representam Pernambuco, Ceará e Paraíba, que aderiram à Revolução.Significado dos elementos da atual bandeira de Pernambuco.Governador-geral da capitania de Pernambuco durante a revolução e um dos principais articuladores da repressão: Luís do Rego Barreto.
Governador-geral da Bahia, Marcos de Noronha e Brito, o 8ª Conde dos Arcos, responsável por fuzilar o Padre Roma e desmantelar parte da Revolução.André de Albuquerque Maranhão: liderou o goverrno republicano em Natal mas acabou sendo morto em uma emboscada. Em 1801, André tinha participado da Conspiração dos Suassunas.Momento que o pai de José Peregrino, Augusto Peregrino, um dos revolucionários da Paraíba, convence o filho a se render às tropas monarquistas. O garoto foi condenado à morte pelo crime de lesa-majestade, enforcado e esquartejado com 19 anos. Página do processo de julgamento dos líderes da revolução, 1819. Décadas depois da prisão de Bárbara, um antigo paiol dentro da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção foi transformado em uma “masmorra simbólica”: em 1854, por ordem do presidente da província, o padre Pires da Mota. O local foi gradeado para servir de cela para o criminoso João Francisco Tavares, embora essa prisão nunca tenha sido usada, posteriormente foi instalada ali uma placa sugerindo que Bárbara teria sido encarcerada nesse ponto. Entretanto, isso não tem comprovação histórica, já que ela e seus filhos ficaram no antigo Quartel da 1ª Linha, nas proximidades da fortaleza, espaço que não foi preservado, fazendo com que o local incorreto sobrevivesse como memória enquanto o verdadeiro desapareceu.
Manuel Hermeto Pinheiro de Araújo – Bárbara de Alencar e seus filhos
Ariadne Araujo – Bárbara de Alencar – 1 janeiro 2000, Edição Português
Antônio Joaquim de Almeida Pinto – Bárbara de Alencar: Mulher e Herói na Revolução do Cariri
Diogo Pereira de Vasconcelos – A Revolução de Bárbara de Alencar e a Independência do Cariri
Luís da Câmara Cascudo – obras sobre a Revolução de 1817 no Rio Grande do Norte
Evaldo Cabral de Mello – A Conspiração dos Suassunas
Henry Koster – Travels in Brazil (registros de viagem sobre a população em 1809 e descrições do período)
Gustavo Barroso – O Cariri e a Revolução de 1817 (desmistificação da “masmorra” de Bárbara)
Paulino Nogueira – estudos históricos sobre a prisão de Bárbara de Alencar
Ângelo Emílio da Silva Pessoa (USP) – análise arquitetônica do Castelo Garcia d’Ávila (desmistificação do “único castelo medieval”)
Fernando L. Fonseca (UFBA) – estudos sobre a Casa da Torre de Garcia d’Ávila
Domingos José Martins – Soneto do Patriota (poema escrito na prisão, 1817)
José Luís de Mendonça – manifestos e escritos da Revolução de 1817
Ronaldo Cagiano – Rastro da Tainha (sobre o Padre Roma)
Therezinha de Castro – estudos sobre o Padre Roma e sua participação na revolução
SITES:
IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) – Documentos de tombamento e fichas técnicas sobre Bárbara de Alencar, Castelo Garcia d’Ávila e Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Disponível em: https://www.gov.br/iphan/pt-br
Fundação Cultural de Exu “Manoelito de Ornelas” – Site oficial do Museu de Dona Bárbara em Exu, Pernambuco. Disponível em: http://fundacaoculturalexu.blogspot.com/
Prefeitura Municipal de Fortaleza / EMCETUR – Informações sobre o Centro de Turismo do Ceará. Disponível em: https://www.fortaleza.ce.gov.br/
10ª Região Militar do Exército Brasileiro – Informações sobre a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Disponível em: https://10rm.eb.mil.br/