DOM PEDRO I e LEOPOLDINA #140

Maria Leopoldina da Áustria foi uma das maiores incentivadoras da ciência e da Independência do Brasil, muito antes do seu marido Dom Pedro I abraçar essas causas.

Apaixonada por ciências naturais, ela trouxe ao país uma das maiores missões científicas da época, acompanhada por naturalistas e artistas que percorreram a colônia registrando animais, plantas, paisagens e povos de uma forma inédita.

Ao mesmo tempo, incentivou a imigração alemã e ajudou a criar colônias como Nova Friburgo, iniciativas que transformariam a demografia brasileira nas décadas seguintes.

Mas sua influência foi muito além disto: Leopoldina se tornou uma das principais articuladoras da Independência, atuando nos bastidores ao lado de ministros, militares e políticos favoráveis à separação de Portugal.

Enquanto isso, as Cortes de Lisboa exigiam a recolonização do Brasil, e o rei Dom João VI retornava para Portugal, deixando Dom Pedro como príncipe regente de um território cada vez mais dividido;

❓ Mas quem foi, de fato, Maria Leopoldina? Como foi sua formação na corte austríaca, sua chegada ao Brasil, sua atuação política e, acima de tudo, como era sua complicada relação com Dom Pedro I?

🎧 Descubra neste episódio!


Galeria:

Maria Leopoldina da Áustria, arquiduquesa austríaca que se tornaria imperatriz do Brasil e uma das principais articuladoras da Independência.
Retrato de Leopoldina ainda jovem, em Viena.

Congresso de Viena, 1814-1815
Francisco I da Áustria, pai de Leopoldina
A Europa após a Conferência de Viena de 1815
Dom Pedro I e Maria Leopoldina casando-se no Rio de Janeiro
Igreja dos Agostinianos em Viena, a Augustinerkirche, onde ocorreu o casamento por procuração de Dom Pedro I e Maria Leopoldina
Pintura de Thomas Endler do Rio de Janeiro, um dos naturalistas à bordo da Missão Científica Austríaca
Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, naturalistas alemães trazidos ao Brasil no contexto da Missão Austríaca.
Representação de indígenas identificados pelos viajantes Spix e Martius como “Coroado” e “Botocudo” — denominações utilizadas pelos europeus da época e não necessariamente os nomes pelos quais esses povos se identificavam — publicada durante as expedições científicas realizadas pelo Brasil entre 1817 e 1820.
O “Campo dos Ciganos” oficialmente Largo do Rocio na época de Dom Pedro I e Leopoldina
Nova Friburgo, colônia suiça fundada por imigrantes suiços em 1818
José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro e principal conselheiro político do processo de Independência do Brasil.
José Clemente Pereira , presidente do Senado da Câmara do Brasil

Dicas Culturais (5):

1: Dona Leopoldina e os viajantes no Brasil

A primeira indicação cultural é um livro de título bastante comprido: Dona Leopoldina e os viajantes no Brasil: A trajetória da imperatriz brasileira nascida na Áustria e dos naturalistas e artistas de língua alemã no início do século XIX, do historiador da arte austríaco Robert Wagner. Ao longo de 452 páginas, Wagner — que chefiou entre 1982 e 2004 a Biblioteca e o Gabinete de Gravuras da Academia de Belas-Artes de Viena — refaz a viagem da imperatriz desde sua saída de Viena, após se casar por procuração com Dom Pedro I, e acompanha as incursões dos naturalistas que a seguiram por diferentes regiões do território nacional.

Editora Capivara
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02: Viagens ao Brasil, nos anos de 1817-1820

Do zoólogo bávaro Johann Baptist von Spix e seu colega, o médico e botânico Carl Friedrich Philipp von Martius, a gente tem a versão em inglês de Travels in Brazil, in the years 1817-1820, publicada em Londres em 1824. Nessa obra, em dois volumes, eles detalham tudo: as fábricas, hospitais e a academia de belas artes que estavam sendo erguidas na capital, o comércio de escravizados, os costumes do Rio de Janeiro e o preparo dos burros usados nas viagens. Eles também explicam como foi a jornada pela serra da Mantiqueira e pelo rio Paraíba, além das minas de ouro, fazendas e indígenas encontrados pelo caminho. Tem ainda os relatos dos contatos com povos originários em Minas Gerais e as viagens para Mariana e Vila Rica. Esse livro é o mais próximo que os caras chegaram de fazer um documentário, e por isso é uma leitura surpreendente, bastante pessoal, contando as muitas aventuras deles pelo Brasil do final da década de 1810.

Volume 1 — Archive.org
Volume 2 — Archive.org


03: Os diários de Langsdorff

A gente achou também os três volumes de Os diários de Langsdorff, relato completo das expedições do naturalista e médico Georg Heinrich von Langsdorff pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Amazonas, durante sua estada no Brasil entre 1821 e 1829. Essa edição, traduzida e organizada por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade de Campinas, saiu em 1997 e é um material extremamente valioso.

Volume 1 — Archive.org
Volume 2 — Archive.org
Volume 3 — Archive.org


04: Observações sobre o Brasil: com instruções úteis para alemães que emigram

O barão Georg Heinrich von Langsdorff também escreveu uma obra curtinha, de 113 páginas, chamada Observações sobre o Brasil: com instruções úteis para alemães que emigram. Publicada originalmente em 1821, a obra explica a cultura da nação e as complicações que os recém-chegados podiam encontrar por aqui. Funciona quase como um guia de sobrevivência para o imigrante do século XIX.

Archive.org


05: Uma viagem pitoresca pelo Brasil

E claaaaaro, não podia faltar o excelentíssimo livro de gravuras Uma viagem pitoresca pelo Brasil, que reúne as ilustrações incríveis que o pintor alemão Johann Moritz Rugendas produziu por aqui entre 1822 e 1825. Ele mostra o Rio, Minas Gerais, Salvador, Olinda e, é claro, as pessoas que viviam por aqui: os diferentes povos indígenas que encontrou pelo caminho e os conflitos deles com os brancos, a origem étnica e os costumes dos trabalhadores escravizados, as táticas dos capitães do mato, as jornadas dos comerciantes mascates, a moda da elite carioca e até como a galera já usava violão pra seduzir as moças na praia. Basicamente, outro grande documentário visual — publicado originalmente entre 1827 e 1835 — dando um resumão de tudo que o estrangeiro encontrou nesse Brasilzão de meu Deus.

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