DOM PEDRO I e o DIA do FICO #141

📜 O DIA DO FICO talvez nunca tenha existido.

Sim, é isso mesmo. A famosa frase de Dom Pedro I “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico” pode ter sido totalmente fabricada.

Por que ela teria sido inventada?

Ora, motivos não faltavam. As elites brasileiras queria manter seus privilégios e precisavam criar algum acontecimento memorável para manter o príncipe regente Dom Pedro I no Brasil.

Mas, real ou não, fato é que, depois do suposto “Dia do Fico” a história do Brasil mudou para sempre.

A partir de então, o príncipe regente, que antes queria voltar para a Portugal junto com seu pai, passou a almejar a Independência do Brasil.

❓ Mas, como isso ocorreu? Quem criou essa narrativa? E o que fez Dom Pedro I mudar de opinião?

🎧 Descubra nesse episódio!

Dicas Culturais:

(1) Journal of a Voyage to Brazil, and Residence There, During Part of the Years 1821, 1822, 1823 — Maria Graham

Uma das fontes mais importantes para entender os acontecimentos que antecederam a independência. Maria Graham era uma escritora e naturalista inglesa que chegou ao Rio de Janeiro em novembro de 1821 e testemunhou de perto eventos como o Dia do Fico, o motim de Avilez e a crescente tensão entre portugueses e brasileiros.

Publicado em 1824, seu diário registra o cotidiano político e social da capital com riqueza de detalhes. Como foi escrito por alguém que presenciou os acontecimentos enquanto eles ocorriam, tornou-se uma das fontes primárias mais valiosas para estudar o período entre 1821 e 1823.

(2) D. Pedro I: Um Herói sem Nenhum Caráter — Paulo Rezzutti

Talvez a melhor biografia moderna para entender o Dom Pedro que ainda não era imperador. Rezzutti apresenta um personagem muito mais humano do que a imagem oficial construída posteriormente: impulsivo, conquistador, músico, excelente cavaleiro e frequentemente improvisador na política.

A obra ajuda a compreender o homem por trás do Dia do Fico, da viagem a Minas Gerais e das articulações que antecederam a independência.

(3) José Bonifácio — Octávio Tarquínio de Sousa

Se existe um personagem que domina os bastidores entre outubro de 1821 e agosto de 1822, esse personagem é José Bonifácio.

A biografia acompanha sua atuação política, suas disputas com Gonçalves Ledo, sua relação com Leopoldina e sua enorme influência sobre Dom Pedro, mostrando como ele se tornou um dos principais arquitetos da independência.

(4) Paço Imperial

Foi no antigo Paço dos Vice-Reis, atual Paço Imperial, que Dom Pedro recebeu a famosa Petição do Fico em 9 de janeiro de 1822. Foi também dali que partiram muitas das decisões políticas que transformaram o Rio de Janeiro no centro do processo de independência brasileira.

O edifício permanece preservado no centro histórico da cidade e permite ao visitante caminhar pelos mesmos espaços frequentados por Dom João VI, Leopoldina, José Bonifácio e Dom Pedro durante aqueles meses decisivos.

(5) Praça da República (antigo Campo de Santana)

Poucos lugares aparecem tantas vezes nos relatos de Maria Graham quanto o antigo Campo de Santana. Foi ali que milhares de pessoas se reuniram durante a crise do motim de Avilez, formando um grande acampamento de apoio a Dom Pedro.

Hoje transformado na Praça da República, o local permite imaginar o cenário onde soldados, populares, religiosos e autoridades aguardavam a possibilidade de um confronto entre portugueses e brasileiros.

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