FAMÍLIA REAL PORTUGUESA no BRASIL #139

⚓ Em 1808, a disfuncional Família Real de Portugal fugiu de Napoleão rumo ao Brasil, mudando para sempre o destino da futura nação.

O príncipe Dom João VI, descrito como tímido, indeciso e com medo do mar, veio acompanhado de uma corte de quase 15 mil pessoas.

👑Sua esposa, Carlota Joaquina, chegou a implorar ao próprio pai, na Espanha, pra não ter que vir. A rainha, que já odiava Portugal e o próprio marido, agora passaria a detestar ainda mais o Brasil.

Dos 9 filhos do casal, um gostou da viagem mais do que os outros: o jovem Dom Pedro I.

Impulsivo, aventureiro e apaixonado por viagens , ele se encantou pelo Brasil de um jeito que seus pais nunca conseguiram.

🏛️ Com a chegada da corte, os portos foram abertos ao comércio internacional pela 1ª vez, além de serem fundadas instituições que existem até hoje, como o Banco do Brasil, o Jardim Botânico e a Biblioteca Real.

Mesmo que Dom João VI tentasse transformar o Rio de Janeiro em uma cidade “europeia” o básico faltava: as ruas fediam no verão, alagavam no inverno e não tinham saneamento básico.

🌧️ Além disso, quem era visto nas ruas eram principalmente africanos escravizados, não os europeus.

Eram eles que trabalhavam, construíam, carregavam mercadorias e sustentavam o funcionamento da cidade.

O viajante inglês John Luccock disse que a recém-transformada corte parecia mais “o coração da África” do que uma capital europeia.

❓ A Família Real é um dos temas mais estudados da história do Brasil, mas mesmo assim é repleta de mitos, exageros e histórias mal contadas.

🎧 Que histórias, especificamente? Isso e muito mais é o que veremos no novo episódio do Geo!

Galeria:


O icônico, polêmico e controverso Dom João VI. Príncipe regente de Portugal entre 1792 – 1816 e rei de Portugal entre 1816 – 1821
Carlota Joaquina, rainha consorte de Portugal e esposa de Dom João VI.
Dom João VI e Carlota Joaquina vivendo uma linda história de amor (ironia).

Maria I de Portugal, a primeira mulher a governar Portugal, sendo conhecida principalmente por sua profunda religiosidade quanto pelo agravamento de suas crises mentais nos últimos anos do seu reinado.
Ele mesmo: Dom Pedro, Duque de Bragança, futuro Dom Pedro I do Brasil e Dom Pedro IV de Portugal.
O irmão de Dom Pedro I, Dom Miguel I, ainda criança, futuro rei absolutista de Portugal.
Maria Francisca de Assis de Bragança, a mais velha das irmãs Bragança.
Isabel Maria de Bragança, segunda mais velha das irmãs, governou Portugal como regente durante a crise sucessória entre Dom Pedro I e Dom Miguel I.
Maria da Assunção de Bragança, uma das filhas mais novas de Dom João VI e Carlota Joaquina, teve uma vida mais discreta e morreu jovem em 1834.
Ana de Jesus Maria de Bragança, a caçula da família real portuguesa, ficou conhecida por desafiar os protocolos da corte ao se casar sem autorização oficial da Coroa.


Palácio de Queluz, onde Carlota Joaquina vivia desde 1794 , quando o Palácio da Ajuda pegou fogo.
Declaração de guerra de Portugal à França de Napoleão, em 1808
Embarque caótico da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1807
Documento original da Carta Régia de 28 de janeiro de 1808, assinada pelo Príncipe Regente Dom João, determinando a Abertura dos Portos do Brasil às nações amigas.
O Bergantim Real: essa foi a estrutura usada para transportar a Família Real até o litorla do Brasil. Construído para o casamento de Dom João VI com Carlota Joaquina, possuía 40 remos operados por 78 remadores e era uma das embarcações cerimoniais mais luxuosas da monarquia portuguesa.

O interior do Bergantim Real era decorado com talha dourada, figuras da mitologia clássica, pinturas bucólicas e uma rara coleção de espelhos venezianos.


Chegada da Corte Portuguesa no Paço do Rio de Janeiro (atual Praça XV) em 1808.
Largo do Paço (atual praça XV) com o Paço Imperial ao lado. Esse foi a primeira moradia da Familia Real Brasileira por um curto período.
O Real Theatro de São João, inaugurado em 1818 por Dom João VI, tinha mais de 10 mil assentos (!)



Mapa ilustrando o projeto de uma “Segunda União Ibérica”, ligado ao carlotismo de Carlota Joaquina, que buscava reunir novamente os impérios de Portugal e Espanha sob uma mesma dinastia através de alianças matrimoniais e reivindicações sucessórias.


Durante os primeiros anos da Família Real no Brasil, os milhares de livros que abrigariam a Biblioteca Real ficariam instalados aqui, na Capela da Ordem Terceira do Carmo. Esse é um desenho feito pelo britânico, em torno de 1830.

Palácio de São Cristóvão, atual Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, onde a Família Real residiu de 1808 até 1821.
Outra vista do Palácio de São Cristóvão, dessa vez em uma ilustração feita por Jean Baptiste Debret.
Palácio de São Cristóvão em 1862, bastante modificado de sua aparência original
A cerimônia do beija-mão, um costume típico da monarquia portuguesa agora trazida para o Rio de Janeiro na qual comerciantes, duques e barões prestavam lealdade ao rei (puxas-sacos).

Jean-Baptiste Debret. Pintor oficial de Napoleão, agora desempregado e viúvo, viajou ao Brasil à convite de Dom João VI para compor a Missão Artística Francesa.
Ateliê de Jean Baptiste Debret em Catumbi, no Rio de Janeiro, 1816, pintado pelo próprio. Note como essa pintura parece muito uma fotografia.
Ilustração de Debret chamada de “Uma Família Brasileira” de 1839
Uma ilustração de Debret chamada de “Casa dos Ciganos”. Esse lugar provavelmente era alguma grande casa/propriedade com um alojamento específico no exterior para abrigar escravizados.
Loja de Sapateiro, ilustração feita por Debret em 1820. Essa é a ilustração que eu (Zottis) comentei no podcast que é a que eu mais recordo de todas.
As cortes de Lisboa, parte do movimento da Revolução do Porto, que pregavam o fim do absolutismo e o retorno imediato de Dom João VI a Portugal.
Partida de Carlota Joaquina a Portugal em uma ilustração feita por Debret

Cardápio da Quinzemana; dicas Culturais (7):

1. D. JOÃO CARIOCA — A corte portuguesa chega ao Brasil (1808-1821) Quadrinhos | Spacca e Lilia Moritz Schwarcz | Companhia das Letras, 2007

O cartunista Spacca e a historiadora Lilia Moritz Schwarcz pegaram essa história e fizeram o que ela merecia — contaram em quadrinhos. O livro não tenta fazer de Dom João um herói. Pelo contrário, mostra o homem como era: um português acostumado com o frio de Lisboa que descobriu o caldo de cana, a jaboticaba e a possibilidade de não fazer absolutamente nada enquanto a corte fingia que governava alguma coisa. Tem bibliografia, cronologia detalhada, galeria de esboços, estudos de vestimenta e cenário. Ou seja: tudo que um livro de história sério precisa, só que em quadrinhos.

2. CARLOTA JOAQUINA, PRINCESA DO BRAZIL (1995) Filme | Direção: Carla Camurati | Com Marieta Severo e Marco Nanini

Filme histórico e satírico lançado em 1995, dirigido por Carla Camurati, estrelado por Marieta Severo e Marco Nanini. Foi relançado nos cinemas em agosto de 2025, remasterizado em resolução 4K. É considerado o marco do renascimento do cinema brasileiro após os anos Collor, quando a produção nacional praticamente parou. Atenção: historiadores reclamaram das liberdades factuais, então assista como sátira, não como aula.

3. A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA (1816) — Brasiliana Iconográfica Portal digital | brasilianaiconografica.art.br

Imagina que o Instituto Moreira Salles se uniu com a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Dessa união eles tiveram um filho: a Brasiliana Iconográfica:um portal digital que reúne fotografias e imagens históricas do Brasil, com acesso aberto ao público. Vou recomendar especificamente o artigo sobre a Missão Francesa, com as aquarelas e desenhos do Debret. Em “obras relacionadas” você encontra quase toda a produção dele e é possível dar um zoom absurdo em cada pintura, mostrando detalhes que passam completamente despercebidos quando você via essas imagens impressas em preto e branco numa prova de história. 🔗 https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/20085/missao-francesa-ou-a-colonia-lebreton-1816

4. WATERLOO (1970) Filme | Direção: Sergei Bondarchuk | Com Rod Steiger e Christopher Plummer

Co-produção ítalo-soviética dirigida pelo russo Sergei Bondarchuk, o cineasta que dois anos antes havia ganho o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Guerra e Paz. Para as sequências de batalha, o filme utilizou 17 mil figurantes e 15 mil soldados soviéticos de infantaria e 2 mil cavalarianos. É a maior batalha já filmada na história do cinema, sem efeitos especiais. Rod Steiger interpreta Napoleão; Christopher Plummer é o Duque de Wellington..

5. BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO Patrimônio cultural | Rua Rio Branco, 219 — Centro, Rio de Janeiro

Lembram da Biblioteca Real que a gente mencionou no episódio? Ela foi constantemente renovada ao longo dos séculos e hoje é a Biblioteca Nacional — um dos maiores acervos documentais do Brasil. Fazendo um rápido link com episódios passados do Geopizza: quando a gente falou sobre Percy Fawcett e a Lenda da Cidade Perdida de Z, o famoso Manuscrito 512 está guardado aqui. É um lugar belíssimo, na verdade, parece mais um palácio do que uma biblioteca, tanto por fora quanto por dentro.

6. O QUINTO DOS INFERNOS (2002) Minissérie | Rede Globo | Direção: Wolf Maya | 47 episódios

Minissérie brasileira exibida pela Rede Globo entre janeiro e março de 2002, escrita por Carlos Lombardi. Conta os bastidores da chegada da corte portuguesa ao Brasil e da Independência de forma cômica e com muita aventura. Com Marcos Pasquim como Dom Pedro I, Luana Piovani como a Marquesa de Santos, Humberto Martins como Chalaça e Betty Lago como Carlota Joaquina. Mesma ressalva do Carlota Joaquina: é sátira assumida, não reconstituição fiel. Disponível no Globoplay.

7. JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Passeio | Rua Jardim Botânico, 1008 — Zona Sul, Rio de Janeiro

Localizado ao pé do Corcovado, o Jardim Botânico possui mais de 6 mil espécies de plantas do Brasil e do mundo, com trilhas, estufas, lagos e o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico, um dos principais centros de conservação da flora brasileira. Foi criado pelo próprio Dom João VI em 1808 — então é uma dica que fecha direitinho com o tema do episódio. Diferente da Biblioteca Nacional, a entrada não é gratuita: desde julho de 2025, o ingresso para visitantes residentes no Brasil é R$ 40, com meia-entrada de R$ 20 para idosos, deficientes e estudantes. Crianças até 5 anos entram de graça e vale cada centavo.


FONTES (24):

LIVROS (7)

  1. Rezzutti, Paulo. D. João VI: A História Não Contada. Editora Record, 2026.
  2. Rezzutti, Paulo. D. Pedro: A História Não Contada. LeYa, 2015.
  3. Rezzutti, Paulo. Mulheres do Brasil: A História Não Contada. LeYa, 2018.
  4. Costa, Pedro Pereira da Silva. Dom Pedro I. Três, 2003.
  5. Silva, Alberto da Costa e; Schwarcz, Lilia Moritz; Cal, Jorge. História do Brasil Nação (1808-1830): Crise colonial e independência. Objetiva, 2011.
  6. Ferreira, Armando Seixas. 1821, O Regresso do Rei.
  7. Priore, Mary Del. Segredos de uma família imperial (citada em fontes secundárias sobre Noémi Thierry).

SITES (16):

Fontes acadêmicas e institucionais:

  1. Arquivos de Neuro-Psiquiatria — artigo científico de 2007 sobre análise toxicológica das vísceras de Dom João VI (arsênico).
    • https://www.scielo.br/j/anp/
  2. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (RIHGB) — “D. Isabel Maria de Bragança: regente de Portugal entre D. Pedro e D. Miguel” (Ana Carolina Galante Delmas).
    • https://rihgb.emnuvens.com.br/revista/article/view/135
  3. Pantheon/UFRJ — TCC sobre D. Pedro II com citações a Theodor von Leithold.
    • https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/27230/1/TAVARES%20SS%202025.pdf
  4. Dialnet — artigo sobre a proibição das gelosias no Rio de Janeiro (Paulo Fernandes Viana, 1809).
    • https://dialnet.unirioja.es/
  5. Scielo — artigos sobre a proibição das gelosias e escravidão urbana no Rio de Janeiro.
    • https://www.scielo.br/
  1. BBC News Brasil — “Quem foi o Chalaça, amigo e companheiro de noitadas de D. Pedro I” (20/04/2022).
    • https://www.bbc.com/portuguese/geral-61177729
  2. Galileu — artigo sobre Noémi Thierry e as amantes de Dom Pedro I.
    • https://galileu.globo.com/
  3. Aventuras na História — artigos sobre: (a) o arsênico no corpo de Dom João VI; (b) os “tigres” do Rio de Janeiro; (c) Noémi Thierry; (d) Chalaça e o Grito do Ipiranga.
    • https://aventurasnahistoria.uol.com.br/
  4. Folha de S. Paulo — citação da frase de Dom João VI a Pedro.
    • https://www1.folha.uol.com.br/
  5. VEJA — citação da frase de Dom João VI a Pedro.
    • https://veja.abril.com.br/
  6. UOL Vestibular — citação da frase de Dom João VI a Pedro.
    • https://vestibular.uol.com.br/
  7. Gazeta do Povo — artigo sobre Chalaça e as seis testemunhas do Grito do Ipiranga.
    • https://www.gazetadopovo.com.br/
  8. Constelar — dados biográficos de Francisco Gomes da Silva (Chalaça).
    • https://constelar.com.br/
  9. RTP / RTP Ensina — reportagens sobre: (a) o navio Dom João VI e o retorno da corte; (b) o envenenamento por arsênico; (c) a Batalha do Sabugal; (d) as Linhas de Torres Vedras.
    • https://ensina.rtp.pt/
    • https://www.rtp.pt/
  10. Diário do Rio de Janeiro — “Aconteceu no Rio Antigo — A maldição do Teatro João Caetano” (superstição das pedras da catedral).
    • https://diariodorio.com/aconteceu-no-rio-antigo-a-maldicao-do-teatro-joao-caetano/
  11. Tok de História — citação de Theodor von Leithold sobre o medo de trovões de Dom João VI.
    • https://tokdehistoria.com.br/2017/04/
  12. Francisca Branco Veiga — dados genealógicos da família real portuguesa.
    • https://franciscabrancoveiga.com/tag/d-maria-isabel/


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